Uma das conclusões mais marcantes do estudo é a drástica mudança de postura dos governos face ao aumento da atividade maliciosa. Os Estados chegaram à conclusão de que a defesa passiva já não é suficiente, movendo as capacidades cibernéticas ofensivas para o centro das suas estratégias de segurança. As recentes operações dos Estados Unidos ligadas ao Irão servem de exemplo para esta nova realidade, revelando uma tendência militar agressiva que está agora a ser replicada por vários países europeus e que levanta sérias dúvidas sobre os riscos de escalada internacional.
O relatório identifica três grandes tendências que estão a reescrever as regras do jogo tecnológico. Em primeiro lugar, destaca-se a "soberania digital", com os governos a apertarem o controlo unilateral sobre dados e cadeias de abastecimento de tecnologias críticas. A segunda tendência é a segurança da IA, onde os países optam por aplicar as rigorosas regras cibernéticas já existentes a estas novas ferramentas. Por fim, regista-se um aumento brutal na responsabilização da gestão de topo, com os reguladores a exigirem que os conselhos de administração assumam as culpas diretas pelos riscos cibernéticos das suas empresas.
Com a entrada em vigor de pacotes legislativos pesados como o NIS2, o DORA, o Cyber Resilience Act europeu e o AI Act, as organizações enfrentam um escrutínio sem precedentes. A NCC Group alerta que a proliferação destas atividades estatais e a ausência de diretrizes internacionais unificadas correm o risco de fragmentar o ciberespaço. Para os leitores da Wintech.pt que gerem operações e infraestruturas, a recomendação do relatório é urgente: reforçar a governação interna e preparar as administrações para navegarem num mundo onde a conformidade legal e a geopolítica andam de mãos dadas.
Katharina Sommer, Diretora de Assuntos Governamentais da NCC Group, sublinha que a política de cibersegurança se tornou, de facto, numa extensão da própria geopolítica. A executiva avisa que, à medida que a confiança entre nações diminui, o ciberespaço consolida-se como um palco principal de dissuasão e guerra fria digital. Para as empresas, o ambiente operacional mudou radicalmente, exigindo que as lideranças não só garantam a segurança das redes, mas também saibam posicionar as suas organizações para responderem às exigências de cooperação por parte dos governos.