A Microsoft desativou oficialmente um dos métodos mais icónicos e antigos de validação de software: a ativação por telefone. Este sistema, que permitiu durante décadas ativar o Windows e o Office sem necessidade de uma ligação à internet, foi descontinuado, conforme revelou uma investigação recente do YouTuber Ben Kleiberg. O método era a solução de recurso para utilizadores com problemas de chaves OEM ou em locais sem conectividade, oferecendo uma alternativa direta através de uma linha de apoio automatizada da corporação.

A mudança foi notada quando Kleiberg tentou ativar uma chave OEM do Windows 7, cujos servidores de ativação online já foram desligados devido à descontinuação do sistema. No passado, este cenário seria resolvido com uma chamada telefónica onde se introduzia um código de instalação e se recebia um código de confirmação. Agora, ao tentar o método, o sistema telefónico já não processa o pedido, sinalizando o fim de um suporte que acompanhou gerações de utilizadores desde os tempos do Windows XP.

Apesar do fim da linha telefónica, a Microsoft não bloqueou totalmente a ativação de produtos antigos, mas mudou as regras do jogo. O processo foi transferido para o novo "Portal de Ativação" da empresa. A grande diferença é que, ao contrário do método antigo que era anónimo e offline, o novo portal exige obrigatoriamente uma ligação à internet e o fornecimento de um endereço de e-mail ativo. Esta transição força a ligação de licenças antigas a identidades digitais modernas.

Especialistas e entusiastas apontam que esta decisão reflete a estratégia agressiva da Microsoft para erradicar o uso de software "desligado" da nuvem. Embora a empresa justifique a medida com padrões de segurança mais elevados, a comunidade técnica vê aqui uma tentativa de garantir a recolha de dados e a monitorização de licenças. O facto de sistemas como o Windows 7 ou o Office 2010 - já sem suporte oficial - ainda poderem ser ativados via portal online mostra que a infraestrutura existe, mas a privacidade do método offline foi sacrificada.

Este encerramento marca o prego final no caixão da autonomia do utilizador perante a ativação de software. No mundo atual, o "direito ao uso" de um produto Microsoft, mesmo que antigo e pago há anos, passa obrigatoriamente pelos servidores da empresa e pela criação de um rasto digital. Para os colecionadores de hardware antigo (retrocomputing), esta mudança traz desafios acrescidos, obrigando ao uso de browsers modernos para concluir processos em máquinas que, tecnicamente, já não deveriam estar na rede.

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