Em 2012, este professor da Lousã já tinha vencido um fórum mundial da Microsoft, na República Checa, na categoria “Educators’s Choice”, pelo seu método de ensino “Oratio Classroom”, após ter conquistado o segundo lugar num concurso idêntico de âmbito europeu, em Lisboa.
Agora, a multinacional norte-americana fundada por Bill Gates considerou o “Flute Master”, que “resulta de anteriores inovações tecnológicas” da equipa de Carlos Ramalheiro, “a melhor aplicação do ano criada em Portugal desde o lançamento do programa Windows 8”, disse o músico à agência Lusa.
Lançada no mercado há dois meses, pelo preço de 2,99 euros, a nova aplicação já está disponível para “Android”, “MacOS”, “IOS” e “Windows”.
“Apostei toda a minha esperança neste projeto”, afirmou João Ramalheiro, defendendo que o produto “tem tudo para ganhar asas” no mercado global.
Licenciado em Educação Musical pela Escola Superior de Educação de Coimbra, Ramalheiro espera “exportar muito”, com benefícios para toda a sua equipa.
A Insignio Labs emprega atualmente dois engenheiros informáticos e três ‘designers’, ao abrigo de estágios profissionais financiados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional.
Enquanto docente, João Ramalheiro desenvolveu o método “Oratio Classroom” em 2010, envolvendo 200 alunos de escolas públicas da Lousã, mas também o aplicou no Instituto de Música Moderna e Artes (IMMA).
Ex-Academia de Música da Lousã, o IMMA é outra empresa que criou, ensinando atualmente 70 crianças, cujos professores recorrem ao “Flute Master” nas aulas.
O novo conceito começou por ser “aplicado nos quadros interativos”.
“Mas, na altura, era só para me ajudar a mim. Eu não queria só um videojogo sem valor pedagógico, queria alguma coisa que permitisse contar uma história, levar os alunos ao mundo virtual, onde poderiam divertir-se e ao mesmo tempo aprender”, adiantou.
Segundo João Ramalheiro, o especialista canadiano de videojogos Quill18 já elogiou o “Flute Master”, tendo publicado uma crítica bem-humorada no Youtube.
“Ele achou isto muito divertido”, disse. Tocando numa flauta de bisel que a empresa da Lousã lhe ofereceu, Quill18 explica as vantagens do jogo na aprendizagem.
O instrumento de sopro é representado pela torre de um castelo medieval em cujas janelas tentam entrar vampiros em pleno voo.
“Todas as 27 músicas disponíveis também estão em partitura convencional”, salientou.
O “Flute Master” assegurou o primeiro emprego ao ‘designer’ Tiago Martins e aos outros criativos da Insignio Labs.
O novo ‘software’, segundo Tiago Martins, “procura equilibrar o divertimento e a iniciação musical” na sala de aula.
“É muito mais divertido para as crianças e muito mais apelativo do que uma partitura convencional”, confirmou à Lusa Lara Silva, docente de Educação Musical do IMMA.
youtube.com/watch?v=6G2203QbdOs
Uma empresa cultural da Lousã concebeu um jogo didático que, em janeiro, começou a ser vendido na internet para todo o mundo e que quer revolucionar o ensino da música às crianças.