O panorama da cibersegurança em Portugal atingiu um patamar de alerta crítico. De acordo com os dados mais recentes da Check Point Research, as organizações portuguesas estão a enfrentar uma média de 2 086 ciberataques por semana, um valor que coloca o país significativamente acima da média europeia (que se fixa nos 1 764 ataques) e o alinha com a média global. Este volume reflete uma tendência estrutural onde o cibercrime deixou de ser uma ameaça ocasional para se tornar numa pressão constante e permanente sobre o tecido empresarial e institucional nacional.

A análise, referente a fevereiro de 2026, revela que o número de ataques em Portugal registou um aumento de 1% face ao ano anterior, mas é a estabilidade nestes níveis historicamente elevados que mais preocupa os especialistas. Globalmente, o crescimento foi mais acentuado, atingindo os 9,6%, impulsionado pela automação das campanhas maliciosas e pela expansão das infraestruturas digitais. Setores como a Educação (com 4.749 ataques semanais a nível mundial), Governo e Telecomunicações continuam a ser os alvos preferenciais devido ao elevado volume de dados sensíveis e ao papel crítico que desempenham na economia.

Um dos fatores emergentes mais disruptivos neste cenário é a utilização da Inteligência Artificial Generativa (GenAI). A Check Point alerta que a adoção destas ferramentas sem políticas de governação claras está a criar novos riscos de fuga de dados. Estima-se que 88% das organizações já tenham sido afetadas por riscos de exposição de dados através de GenAI, sendo que 1 em cada 31 prompts enviados para estas plataformas apresenta um risco elevado de expor informação interna, credenciais ou propriedade intelectual. Em Portugal, este risco é particularmente acentuado à medida que as empresas aceleram a digitalização dos seus processos.

No que diz respeito ao Ransomware, embora se tenha registado uma queda de 32% nos incidentes divulgados publicamente face a 2025, os especialistas alertam que este decréscimo é parcial e não deve gerar uma falsa sensação de segurança. Grupos como Qilin, Clop e The Gentlemen continuam extremamente ativos, com a América do Norte a concentrar a maioria das vítimas (57%), seguida pela Europa com 17%. A fragmentação do ecossistema criminoso, com pelo menos 49 grupos diferentes a operar ativamente, demonstra a resiliência desta indústria ilícita.

Face a este ambiente de risco permanente, a recomendação para as organizações portuguesas passa pela adoção de uma estratégia de "prevenção em primeiro lugar". Isto implica o uso de inteligência de ameaças em tempo real e proteção baseada em IA para antecipar e bloquear ataques antes que estes causem impacto operacional. Num cenário onde os atacantes utilizam bots e redes distribuídas para escalar ofensivas, a resiliência digital depende agora da capacidade de integrar a visibilidade sobre redes, cloud e endpoints numa defesa unificada.

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