A aprovação de um novo projeto-lei em Portugal, que proíbe o acesso a redes sociais a menores de 16 anos sem autorização parental (e proíbe totalmente o acesso a menores de 13), coloca o país na linha da frente da regulação digital europeia. No entanto, a ESET, líder europeia em cibersegurança, alerta para o facto de a proibição total poder não ser a solução mais eficaz.

A empresa argumenta que restringir o acesso pode, por um lado, incentivar os jovens a procurar alternativas na "clandestinidade" digital e, por outro, ignora que os perigos de conteúdos abusivos e experiências negativas não desaparecem por artes mágicas assim que se atinge a idade permitida.

A análise da ESET levanta questões profundas sobre a privacidade e a utilidade dos métodos de verificação de idade. Tecnologias que dependem de biometria facial ou documentos governamentais podem criar novos riscos de segurança relacionados com a recolha e armazenamento de dados sensíveis. A empresa sugere que, em vez de focar apenas na idade, o mundo deveria repensar o conceito de identidade verificada. Se os serviços permitissem filtrar ou bloquear interações de utilizadores não autenticados, a exposição a abusos, cyberbullying e perfis anónimos - que hoje gozam de total impunidade - diminuiria drasticamente.

Este modelo de "utilizadores verificados" poderia estender-se além das redes sociais, funcionando como um filtro de proteção em caixas de correio eletrónico para mitigar ataques de phishing. A ESET defende que a verificação de identidade não tem de anular o anonimato perante outros utilizadores (como em apps de encontros), mas garante que a plataforma conhece a identidade real do indivíduo. Isto permitiria que qualquer fraude ou abuso fosse atribuível e punível pelas autoridades, criando uma camada de responsabilidade que atualmente não existe na maioria das plataformas que lucram com o volume de utilizadores, independentemente da sua autenticidade.

Em suma, a ciberseguradora considera que 2026 pode ser o ano da grande redefinição da identidade online. Embora as proibições governamentais tenham origem em preocupações legítimas com o bem-estar dos menores, a solução a longo prazo passa por criar uma Internet estruturalmente mais segura para todos. A distinção entre indivíduos verificados e não verificados daria aos utilizadores a liberdade de escolher filtrar o "ruído" e a toxicidade, promovendo um ambiente digital onde o anonimato deixa de ser uma arma para o crime e o abuso impune.

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