P.:Outros especialistas defendem que a Perl pode ser impulsionada pelo aumento da utilização do Open Source e que há muito mais programadores especializados em Perl do que em outras linguagens. É verdade?
R.:Penso que sim. Quando falamos de linguagens dinâmicas - Perl, Pyton, Ruby e outras -, penso que a Perl tem, de longe, a maior base de programadores do mundo. Em quase todas as grandes organizações onde se trabalham as infra-estruturas TIC, alguém utiliza Perl. Podem não o referir nem tomá-lo como exemplo do que fazem, mas a verdade é que confiam nela. Há uma grande falta de programadores Perl em todo o mundo, uma grande procura por profissionais desta linguagem, o que é bastante positivo.
P.:No que toca à utilização do Open Source e, consequentemente da Perl, pensa que será impossível «derrotar» o império da Microsoft? O que poderá ser feito para equilibrar duas forças tão desproporcionais?
R.:O departamento de marketing da Microsoft é maior que a maioria das empresas que são clientes da multinacional de Gates. Têm a vantagem de estarem infiltrados em todo o lado. Não podemos decidir não comprar Microsoft porque já existe Microsoft em todo o lado. O que pode ser feito é não tentar vender Open Source da mesma forma, porque nunca vamos ter pessoas nem recursos suficientes para isso. Devemos tentar encontrar formas de introduzir o Open Source nas organizações de forma subtil. Não podemos chegar e dizer que têm de mudar 10 mil terminais com Microsoft para Linux, porque isso não faz sentido.
Temos de tentar iniciar novos projectos, mais pequenos, em novos departamentos, como outro pessoal e colocar Linux nesses PCs e ver como funciona. Ou propor que os servidores continuem com Windows, mas os desktops sejam mudados para Ubuntu, por exemplo. Temos de começar devagar e com projectos pequenos e deixar a mensagem passar de dentro para fora. Os que utilizarem Open Source vão verificar que os seus sistemas «correm» durante muito mais tempo e que não precisam de comprar novo hardware de dois em dois anos para acompanhar os requisitos do software. Serão mais felizes porque terão uma melhor experiência e mais produtivos.
Os responsáveis desses departamentos terão performances melhores e essa mensagem começará a passar dentro da organização. Penso que a única forma que o Open Source tem de competir com a Microsoft é ser tão melhor e proporcionar experiências tão mais produtivas para os utilizadores que todos percebam que vale o sacrifício de mudar. Isto porque esta mudança implica desconforto, dificuldades e custos, mas é compensada muitas vezes pela redução do stress e dos problemas que o software proprietário encerra.
P.: Conhece algum país que utilize mais Open Source que software proprietário?
R.: Penso que o Brasil será o país que está mais próximo dessa situação, sobretudo porque tem uma política muito forte de Open Source, especialmente em entidades governamentais. As economias emergentes, como o Brasil, que estão a «explodir» mas não têm um capital de base enorme ainda e por isso não podem gastar o dinheiro que o software proprietário implica, serão pioneiras na migração para Open Source, motivada pelos governos.
O Brasil e muitos outros países sul-americanos estão nesta situação, pelas mais variadas razões. Não são ainda economias internacionais, mas têm populações crescentes e o desejo de serem grandes «players» no mercado mundial, embora não tenham os recursos para adquirir todo o software de que necessitam. São grandes motivações para optar por um software, um pouco diferente, mas tão eficiente quanto o proprietário.
P.: Quais são, na sua opinião, as principais tendências deste «conflito» entre código aberto e código fechado na Europa e no mundo?
R.: Destacaria a crescente penetração no mercado do Ubuntu, uma espécie de MacIntosh do mundo Linux. É muito focalizado na experiência do utilizador, na conveniência e na integração de todo o sistema. Vejo muita penetração na Europa e em todo o mundo deste tipo de abordagem. Além disso, as organizações que baseiam o seu trabalho em Open Source e cuja filosofia é muito similar estão a ter grande sucesso. O melhor exemplo disso é o próprio Google.
O Google é o grande caso de sucesso do início do século XXI. Quase tudo o que essa empresa faz é baseado em Open Source. O Google não produz Open Source, produz serviços com a mesma filosofia, isto é, não cobra pelos serviços, fornece-os gratuitamente e financia-os de outras formas, como através da venda de publicidade. Essa filosofia, de dar à comunidade sem cobrar nada, já provou ser um sucesso completo. O Open Source funciona da mesma forma: os programadores têm mais benefícios em partilhar o que fazem com a comunidade do que em obrigar as pessoas a comprá-lo.
E há centenas de outras organizações com a mesma filosofia que estão a levantar e a tornar-se importantes. Outra das tendências a que tenho assistido em relação ao Open Source é a noção da importância da Web 2.0. Um dos grandes ícones do 2.0 é a ideia da contribuição dos utilizadores. Há sites, como o Digg.com, páginas web de agregação de notícias, que são angariadas pelos indivíduos que as lêem. Este esforço comunitário é a mesma filosofia do Open Source.
R.:Penso que sim. Quando falamos de linguagens dinâmicas - Perl, Pyton, Ruby e outras -, penso que a Perl tem, de longe, a maior base de programadores do mundo. Em quase todas as grandes organizações onde se trabalham as infra-estruturas TIC, alguém utiliza Perl. Podem não o referir nem tomá-lo como exemplo do que fazem, mas a verdade é que confiam nela. Há uma grande falta de programadores Perl em todo o mundo, uma grande procura por profissionais desta linguagem, o que é bastante positivo.
P.:No que toca à utilização do Open Source e, consequentemente da Perl, pensa que será impossível «derrotar» o império da Microsoft? O que poderá ser feito para equilibrar duas forças tão desproporcionais?
R.:O departamento de marketing da Microsoft é maior que a maioria das empresas que são clientes da multinacional de Gates. Têm a vantagem de estarem infiltrados em todo o lado. Não podemos decidir não comprar Microsoft porque já existe Microsoft em todo o lado. O que pode ser feito é não tentar vender Open Source da mesma forma, porque nunca vamos ter pessoas nem recursos suficientes para isso. Devemos tentar encontrar formas de introduzir o Open Source nas organizações de forma subtil. Não podemos chegar e dizer que têm de mudar 10 mil terminais com Microsoft para Linux, porque isso não faz sentido.
Temos de tentar iniciar novos projectos, mais pequenos, em novos departamentos, como outro pessoal e colocar Linux nesses PCs e ver como funciona. Ou propor que os servidores continuem com Windows, mas os desktops sejam mudados para Ubuntu, por exemplo. Temos de começar devagar e com projectos pequenos e deixar a mensagem passar de dentro para fora. Os que utilizarem Open Source vão verificar que os seus sistemas «correm» durante muito mais tempo e que não precisam de comprar novo hardware de dois em dois anos para acompanhar os requisitos do software. Serão mais felizes porque terão uma melhor experiência e mais produtivos.
Os responsáveis desses departamentos terão performances melhores e essa mensagem começará a passar dentro da organização. Penso que a única forma que o Open Source tem de competir com a Microsoft é ser tão melhor e proporcionar experiências tão mais produtivas para os utilizadores que todos percebam que vale o sacrifício de mudar. Isto porque esta mudança implica desconforto, dificuldades e custos, mas é compensada muitas vezes pela redução do stress e dos problemas que o software proprietário encerra.
P.: Conhece algum país que utilize mais Open Source que software proprietário?
R.: Penso que o Brasil será o país que está mais próximo dessa situação, sobretudo porque tem uma política muito forte de Open Source, especialmente em entidades governamentais. As economias emergentes, como o Brasil, que estão a «explodir» mas não têm um capital de base enorme ainda e por isso não podem gastar o dinheiro que o software proprietário implica, serão pioneiras na migração para Open Source, motivada pelos governos.
O Brasil e muitos outros países sul-americanos estão nesta situação, pelas mais variadas razões. Não são ainda economias internacionais, mas têm populações crescentes e o desejo de serem grandes «players» no mercado mundial, embora não tenham os recursos para adquirir todo o software de que necessitam. São grandes motivações para optar por um software, um pouco diferente, mas tão eficiente quanto o proprietário.
P.: Quais são, na sua opinião, as principais tendências deste «conflito» entre código aberto e código fechado na Europa e no mundo?
R.: Destacaria a crescente penetração no mercado do Ubuntu, uma espécie de MacIntosh do mundo Linux. É muito focalizado na experiência do utilizador, na conveniência e na integração de todo o sistema. Vejo muita penetração na Europa e em todo o mundo deste tipo de abordagem. Além disso, as organizações que baseiam o seu trabalho em Open Source e cuja filosofia é muito similar estão a ter grande sucesso. O melhor exemplo disso é o próprio Google.
O Google é o grande caso de sucesso do início do século XXI. Quase tudo o que essa empresa faz é baseado em Open Source. O Google não produz Open Source, produz serviços com a mesma filosofia, isto é, não cobra pelos serviços, fornece-os gratuitamente e financia-os de outras formas, como através da venda de publicidade. Essa filosofia, de dar à comunidade sem cobrar nada, já provou ser um sucesso completo. O Open Source funciona da mesma forma: os programadores têm mais benefícios em partilhar o que fazem com a comunidade do que em obrigar as pessoas a comprá-lo.
E há centenas de outras organizações com a mesma filosofia que estão a levantar e a tornar-se importantes. Outra das tendências a que tenho assistido em relação ao Open Source é a noção da importância da Web 2.0. Um dos grandes ícones do 2.0 é a ideia da contribuição dos utilizadores. Há sites, como o Digg.com, páginas web de agregação de notícias, que são angariadas pelos indivíduos que as lêem. Este esforço comunitário é a mesma filosofia do Open Source.
O jornal SOL entrevistou Damian Conway, arquitecto da Perl 6 e vencedor do prémio Larry Wall Award for Practical Utility em 1998, 1999 e 2000. O antigo professor da universidade australiana Monash University congratulou-se com os avanços do Open Source e deixou algumas pistas para «derrotar» as multinacionais de software proprietário.