Há dois anos que tinha encontros sexuais marcados em salas de chat, mas “só desta vez é que correu mal”, contou ao Luís, de 27 anos, acusado de violação por duas jovens de 24 e 25 e detido na passada terça-feira pela Polícia Judiciária de Braga. A força policial define Luís como um “predador”, que usava cibercafés para caçar raparigas que violava, usando da força.   

O suspeito, residente em Garfe, Póvoa de Lanhoso, negou ao CM todas as acusações que lhe foram imputadas pelas autoridades policiais e justificou o que diz serem “as mentiras das raparigas”, como forma de conseguirem “indemnizações”. “Aconteceu há cerca de um mês e meio, mas as relações sexuais foram consentidas”, afirmou.

Tudo terá começado com uma troca de SMS, através de um serviço de uma operadora móvel que promove encontros. O contacto permitiu-lhe marcar um encontro com uma rapariga: “Depois de algumas mensagens, combinámos uma tarde em Braga. Fui buscá-la no meu carro a um parque de um supermercado e fomos para um lugar mais calmo”, explicou o alegado violador.

Luís admite, contudo, que se desentendeu com a “rapariga de Braga”. “Deu-me um estalo leve porque queria fazer as coisas com mais calma, mas depois conversámos e ficou tudo bem. Não a obriguei a fazer nada”, sublinhou. No final do encontro e por estar “atrasado para o jantar”, o suspeito terá deixado a jovem longe do seu local de residência.

A mulher queixou-se do ocorrido na Polícia Judiciária de Braga (PJ), em Julho passado, mas ao que o CM apurou, apenas a segunda queixa, de uma alegada violação de uma mulher de Fafe, no decorrer deste mês, possibilitou a identificação do suspeito.

Quanto à segunda acusação, feita por uma jovem de 24 anos, o suspeito não encontra explicação. “Nem percebi bem de que me acusam, já que nem tive relações sexuais com essa rapariga”, adiantou.

Luís, desempregado e solteiro, foi detido na terça-feira pela PJ de Braga, na sua residência, em Garfe. Depois de prestar declarações às autoridades policiais foi apresentado ao Tribunal de Braga, que aplicou como medida de coacção o Termo de Identidade e Residência, a proibição de se ausentar da área da residência e apresentações bissemanais (terça e sábado) no posto da GNR mais perto da sua residência.

Ainda segundo o CM apurou, a história das vítimas é bastante diferente. Elas contam que foram apenas a um encontro e que acabaram em locais ermos, nas imediações da cidade de Braga. Aí, foram agredidas e violadas, acabando por aceitar contar o caso às autoridades. O que outras jovens não terão feito, já que a Polícia Judiciária admite a existência de várias vítimas, algumas delas menores de idade. A investigação prossegue.

PORNOGRAFIA APREENDIDA

Na sequência da busca domiciliária à casa do suspeito, em Garfe, Póvoa de Lanhoso, a Polícia Judiciária de Braga apreendeu diversos objectos pornográficos e o carro onde terão ocorrido as violações. As autoridades policiais encontraram ainda uma extensa lista de mulheres que terão mantido encontros com o suspeito.

A PJ acredita que, depois de contactar as mulheres que fazem parte da listagem apreendida, o número de vítimas possa vir a aumentar.

Na freguesia de Garfe, a população estava, ontem à tarde, incrédula com o sucedido. “Isto é uma localidade pequena onde não se passa nada. Uma coisa deste tipo nunca se viu por aqui. Se é mesmo verdade espero que apanhe a pena máxima e seja bem castigado”, desabafou um morador na localidade.

Já um vizinho do alegado violador, que não se quis identificar, admitiu que o suspeito “sempre foi uma pessoa sinistra, com poucos amigos, muito fechada e de quem a maioria das pessoas quer distância”.

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O PERIGO DAS SALAS DE CHAT

Estes não são os primeiros casos de ‘engates’ em salas de chat que acabam mal. Ainda em Março passado, um homem de 24 anos, residente na Póvoa de Varzim, foi detido por suspeita de extorsão de dinheiro a uma menor de 15 anos.

O alegado violador, um informático que se dizia fotógrafo profissional, aliciou a jovem numa sala de chat, prometendo uma carreira de modelo. Depois, combinou um encontro para uma sessão fotográfica na sua casa. A adolescente, estudante em Vila Verde, terá sido fotografada em poses pornográficas. Com as imagens na sua posse, o suspeito, que cumpre apresentações periódicas à GNR, começou a chantagear a vítima, com ameaça de divulgação.

A polícia chama a atenção para, em casa e nas escolas, ser necessária a colocação de filtros que impeçam o acesso a programas perigosos.

SAIBA MAIS

11 foram os homens detidos, só entre os meses de Abril e Maio de 2007, pelas autoridades na região de Lisboa, todos suspeitos da prática de crimes de natureza sexual. Daqueles, apenas um não abusou de menores.

12 800 foram os crimes contra pessoas registados pela PJ em 2006. Na última década, o ano de 2003 foi o pior, com quase 17 mil crimes contra cidadãos.

CADASTRO

O suspeito, detido terça-feira passada em Garfe, Póvoa de Lanhoso, tem o cadastro limpo e não era conhecido como uma pessoa violenta.

INTERNET

Luís, de 27 anos, afirmou não ter acesso à internet na sua residência. O suspeito utilizaria cibercafés para entrar em salas de chat (conversação on-line).

TELETEXTO

O serviço de teletexto era um dos canais utilizados pelo detido para marcar encontros sexuais com jovens do distrito de Braga.

Fonte : Correio da Manhã
 
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