Os imigrantes dizem ainda que foram obrigados a trabalhar de pé durante 14 horas, quase sem pausas para descansar ou ir à casa de banho. Um dos trabalhadores que fabrica microondas para a Samsung revelou que “temos apenas 45 minutos num turno de 12 horas para comer e sete minutos a cada duas horas para beber água”.
Quando confrontaram os supervisores com as irregularidades, os trabalhadores da Samsung receberam ameaças do género “Se não trabalharem ou se forem embora sem pagar, vamos enterrar-vos na Malásia”, confessou um dos trabalhadores.
Alguns trabalhadores da Panasonic na cidade de Johor Bahru (Malásia) afirmam ter recebido apenas 700 ringgit por mês (cerca de 156 euros), ou seja, metade do valor que lhes foi prometido. Este valor, segundo justificaram, deve-se ao facto de existir uma quebra nas encomendas.
De referir que dos trabalhadores que trabalham para a Samsung, apenas alguns pertencem aos quadros da empresa sul-coreana, sendo que a maioria é contratada por uma empresa de fornecimento de mão-de-obra. No que diz respeito aos trabalhadores da Panasonic, estes são empregados na totalidade por empresas de subcontratação.
Além destas queixas por parte dos trabalhadores, existe uma outra que revela a exigência das empresas a um pagamento de uma “taxa de recrutamento” que tem um preço aproximado de 1200 euros para que consigam assegurar os seus empregos.
Após esta investigação, as empresas acusadas decidiram comentar o assunto, sendo que, no caso da Samsung, foi dito que “a empresa obedece totalmente ao Código de Conduta da Electronics Industry Citizenship Coalition [empresa de direitos dos trabalhadores] e não encontrou provas de violações no processo de contratação de imigrantes realizado diretamente através da fábrica na Malásia”.
Apesar disto, a Samsung confessou que está a “conduzir investigações sobre empresas de fornecimento de mão-de-obra com quem trabalha e os imigrantes empregados pelas mesmas”. Caso sejam reveladas quaisquer violações, serão tomadas “medidas de correção imediatas e os negócios com essas empresas serão interrompidos”.
A Panasonic reagiu também e afirmou que vai iniciar uma investigação sobre as acusações agora denunciadas. “Levamos estas denúncias muito a sério e, se descobrirmos que algum dos fornecedores violou de facto as regulações, tomaremos medidas imediatas”.
Ambas as empresas já proibiram as empresas em causa de confiscar passaportes e de cobrar “taxas de recrutamento” aos trabalhadores.
A sul-coreana Samsung e a japonesa Panasonic estão a enfrentar uma nova acusação. Em causa está, segundo é revelado, o facto das empresas possuírem 30 trabalhadores imigrantes que viram os passaportes ser confiscados tendo sido ameaçados que teriam de pagar multas no valor de três meses de salário, caso quisessem regressar ao Nepal antes do fim dos contratos.