Há uma regra que não podemos esquecer: as redes sociais estão repletas de pessoas com más intenções e esquemas que utilizam mensagens em corrente. E, apesar do que possa vir escrito num texto supostamente legal, repleto de exclamações, maiúsculas e com uma sintaxe duvidosa, copiar e colar NÃO vai servir para proteger o conteúdo das nossas redes sociais contra uma suposta utilização por parte do Facebook ou Instagram.

Apesar de tudo, estes vigaristas estão a conseguir que os utilizadores acreditem neles, pois as redes sociais estão a ficar cada vez mais carregadas destas correntes totalmente absurdas, alertando-o de que tudo aquilo que publique na sua página se tornará público e poderá ser utilizado contra si “já amanhã”!!.

Provavelmente já reparou nessa mensagem, partilhada por amigos ou família, talvez também tenha partilhado, não vá o diabo tecê-las. Independentemente disso, é provável que tenha visto este tipo de publicações mais de uma vez no Facebook ou no Instagram.

Como é habitual, a composição ou idioma no qual são enviados varia, mas no fundo todos os textos aparentam ser iguais:

             

Esta mensagem em corrente, se calcularmos em anos de Internet, é tão antiga como as sandálias de Matusalém. Já em 2012, a Snopes, uma prestigiada publicação independente de fact-checking, desmantelou esta notícia falsa. Detetando diversas variantes neste tipo de esquemas em 2015 e 2016.

Este seria o texto completo e que está a ser partilhado no Facebook nas últimas semanas:

Não te esqueças que amanhã começa uma nova regra do Facebook sobre a utilização das tuas fotos. Não te esqueças também que hoje é a data limite! Pode ser utilizado em processos jurídicos contra ti. Tudo o que foi publicado torna-se público a partir de hoje, incluindo as mensagens eliminadas ou fotos proibidas. Um simples copy-paste não custa nada, é melhor prevenir do que remediar. O Canal 13 News acrescentou esta alteração na sua política de privacidade no Facebook.

Não faculto ao Facebook ou às organizações relacionadas com o Facebook a permissão para utilizar as minhas fotografias, mensagens ou publicações, passadas e futuras. Com esta declaração, aviso o Facebook que está oficialmente proibido de partilhar, copiar, distribuir ou tomar qualquer outra ação realizada contra mim neste perfil e/ou conteúdo. O conteúdo deste perfil contém informação privada e confidencial. A violação da privacidade pode ser punida por lei (UCC 1-308-1 1 308-103 e pelo Estatuto de Roma). Nota: O Facebook é agora uma entidade pública. Todos os membros devem fazer uma publicação deste tipo. Se preferir, pode copiar e colar esta versão. Se não publicar uma declaração pelo menos uma vez, poderão ser utilizadas fotografias suas, assim como a informação contida nas atualizações do perfil. NÃO PARTILHE. Copie e cole.

O novo algoritmo escolhe as mesmas pessoas – cerca de 25 – que vão ler as suas mensagens. Deste modo, mantenha o dedo em qualquer parte do post e aparecerá “COPIE – Clique em “copiar”. Depois, veja a sua página, crie um novo post e coloque o rato em qualquer parte vazia da publicação, vai aparecer “colar”, clique.

Copie, cole e respire

Por onde devemos começar a dissecar esta falsa mensagem em corrente? Talvez fazê-lo através da alusão a processos legais seja um bom princípio...

Não é suficiente “copiar e colar” para ignorar as Condições do serviço                                                                                                                

Ter controlo do seu próprio conteúdo online não é tão simples como copiar e colar um pequeno texto no seu mural do Facebook. A lei não funciona assim. A utilização de qualquer plataforma online onde se guarda conteúdo ou dados pessoais exige o cumprimento dos termos e condições do serviço. Neste link pode saber mais sobre as Condições do serviço do Facebook - https://www.facebook.com/legal/terms.

Antes de poder utilizar o Facebook, deve aceitar os seus termos legais, incluídos na sua política de privacidade e condições. Assim que o faça, não poderá modificar o acordo. Também não pode restringir os direitos do Facebook citando simplesmente o Código Comercial Uniforme (UCC). Desta forma desmantelavam a notícia falsa em 2012 através da Snopes, que ainda é aplicável, sete anos mais tarde:

Uma das relíquias legais mais comuns à que se faz referência (na mensagem em corrente) é a Secção 1-308 do UCC, que durante muito tempo foi popular entre os fanáticos das conspirações, considerando errado que citá-lo sobre a própria empresa num instrumento atribui a capacidade de invocar direitos legais extraordinários.

E o Estatuto de Roma?

É sensato perguntar o que é na realidade o Estatuto de Roma. Fizemos isso na Sophos e do que nos é dado a entender, parece ser uma referência ao Estatuto de Roma da Corte Penal Internacional, que estabeleceu quatro crimes internacionais principais: genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e crimes de agressão.

Se a utilização que o Facebook faz do nosso conteúdo constitui algum desses crimes é outro tema. No caso da notícia falsa que estamos a tratar agora, basta dizer que o “problema” que se supõe que esta “não solução” resolva, não existe. O Facebook não exige direitos de autor da sua informação pessoal, fotografias ou outro material. A plataforma também não anunciou nenhum plano no qual vai tornar públicas todas as publicações do Facebook (incluindo as anteriormente eliminadas), independentemente da configuração de privacidade do utilizador.

Pelo menos em duas das várias ocasiões nas quais este tipo de mensagens em corrente apareceu, o Facebook assegurou aos utilizadores que eles...

...possuem a propriedade intelectual (IP) do que colocam na rede social, mas dependendo da configuração da sua privacidade e aplicações, os utilizadores concedem à rede social “uma licença não exclusiva, transferível, secundária, livre de direitos e mundial para utilizar qualquer conteúdo IP que se publique no ou em relação com o Facebook (Licença IP)”.

Existem muito mais pistas, além das expostas anteriormente, que evidenciam o facto de se tratar de uma mensagem em corrente totalmente falsa, como por exemplo a gramática utilizada de forma errada, entre outras tantas coisas más.

A equipa da Sophos Ibéria recomenda que, em vez de copiar e colar este tipo de mensagens corrente, as marque como spam no caso de aparecerem através do email, não publique nas redes sociais, elimine no caso de já ter publicado e respire sem que tenha de ser um vigarista a dizer para o fazer.

É também aconselhável tornar a sua conta privada. É possível verificá-lo ao aceder ao perfil e selecionar a opção “view as”:

Onde pode ver como aparece seu perfil aos olhos de outros:

Podendo confirmar que tipo de exposição os seus dados estão a ter atualmente....

No caso de querer alterar, é possível fazê-lo através das “Definições”:

E depois selecione a opção de privacidade:

Finalmente, podemos indicar e ajustar qual o nível de “abertura” que queremos em todos os conteúdos que publicamos:

Muito importante ainda, deve também indicar-se que queremos que tudo isto se aplique aos conteúdos e publicações anteriores.

 Autor : Alberto R. Rodas, Diretor de Prevenção da Sophos Ibéria.

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