A equipa Global Research and Analysis Team (GReAT) da Kaspersky revelou que o recém-descoberto exploit kit Coruna é, na verdade, uma evolução direta da infame campanha de ciberespionagem "Operation Triangulation". Através de uma análise detalhada ao código, os peritos confirmaram que os exploits de kernel presentes em ambas as ameaças foram desenvolvidos pelo mesmo autor, desmistificando a ideia de que o Coruna seria apenas uma compilação de ferramentas maliciosas independentes recolhidas na internet.

A "Operation Triangulation" ganhou notoriedade mundial em junho de 2023, quando a própria Kaspersky detetou esta Ameaça Persistente Avançada (APT) ao monitorizar o tráfego da sua rede Wi-Fi corporativa. Na altura, os cibercriminosos estavam a explorar ativamente quatro vulnerabilidades de dia zero (zero-day) para comprometer secretamente os dispositivos iOS de vários colaboradores da empresa de cibersegurança, expondo uma falha crítica que afetava uma vasta gama de produtos da Apple.

O aprofundar da investigação ao novo kit Coruna revelou que este inclui cinco exploits de kernel, concebidos para explorar falhas no núcleo do sistema e obter o controlo total do dispositivo afetado. Um destes exploits é uma versão diretamente atualizada daquele que foi usado na campanha de 2023. Os restantes quatro, dois dos quais desenvolvidos já após a denúncia pública da "Operation Triangulation", assentam no mesmíssimo framework, provando que os atacantes originais continuam ativamente a desenvolver e a refinar o seu arsenal ofensivo.

A sofisticação desta nova iteração fica evidente na sua compatibilidade com o hardware mais recente da marca da maçã. O código do Coruna inclui suporte nativo para os processadores A17, M3, M3 Pro e M3 Max, bem como referências diretas a versões do iOS até à 17.2, lançadas no final de 2023. De forma irónica e calculada, o malware incorpora até uma verificação específica para o iOS 16.5 beta 4, que foi precisamente a versão que a Apple lançou para corrigir as vulnerabilidades originais reportadas pela Kaspersky.

Boris Larin, Investigador Sénior da Kaspersky, sublinha o perigo desta evolução, alertando que o que começou como uma ferramenta de ciberespionagem altamente direcionada e cirúrgica está agora a ser utilizado à escala global de forma muito mais alargada. Para mitigar esta ameaça, a empresa de segurança apela a todos os utilizadores de iPhone que instalem as atualizações mais recentes do sistema operativo. No ambiente corporativo, a recomendação passa por reforçar a proteção dos endpoints, centralizar a monitorização através de soluções SIEM e manter uma rigorosa política de gestão de patches.

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