Os riscos de uma exposição sem critério são reais e crescentes, abrangendo desde o roubo de credenciais bancárias e a interceção de códigos de autenticação via SMS até à criação de perfis comerciais detalhados. Em cenários mais graves, a ativação remota do microfone ou a instalação de spyware e ransomware podem comprometer totalmente a privacidade e a integridade dos dados do utilizador. Um ponto de preocupação emergente são as aplicações de Inteligência Artificial e de saúde, que frequentemente solicitam acesso permanente ao conteúdo do ecrã e a dados biométricos sensíveis, que podem ser partilhados com terceiros para fins de seguros ou publicidade.
Certas permissões devem levantar suspeitas imediatas, como o pedido de acesso aos serviços de acessibilidade, que conferem um controlo quase total sobre o dispositivo, ou as permissões de sobreposição, que facilitam ataques de clickjacking. Ricardo Neves, responsável de Marketing e Comunicação da ESET Portugal, sublinha que a melhor defesa é a utilização consciente, recomendando que os utilizadores questionem sempre a necessidade de cada autorização e optem por configurações restritivas, como "permitir apenas durante a utilização".
Para manter a vida digital protegida, é fundamental adotar hábitos de higiene tecnológica, como descarregar aplicações exclusivamente de lojas oficiais, ler avaliações de outros utilizadores e revogar periodicamente permissões que já não sejam necessárias. A atualização constante do sistema operativo e o recurso a soluções antimalware de fornecedores reconhecidos são passos essenciais para identificar comportamentos suspeitos, como apps que acedem à localização ou ao microfone em segundo plano sem qualquer justificação operacional.