A Kaspersky emitiu um alerta sobre como a utilização de inteligência artificial generativa por cibercriminosos está a apagar as "impressões digitais" humanas que tradicionalmente permitiam a atribuição de ataques. Ao gerar código, e-mails de phishing e conteúdos operacionais de forma neutra e padronizada, a IA elimina erros linguísticos distintivos e padrões específicos de programação, dificultando o trabalho dos analistas de segurança.

Como resultado, a investigação de incidentes em 2026 terá de depender menos de pistas textuais e mais na análise de infraestruturas, ferramentas e indicadores comportamentais.

A tecnologia já está a ser utilizada para o desenvolvimento completo de implantes maliciosos, com modelos de linguagem de grande dimensão a gerarem desde a estrutura inicial até módulos funcionais de malware. Exemplos recentes incluem campanhas dos grupos FunkSec e RevengeHotels, que utilizaram assistência de IA para criar malware capaz de roubar dados e manipular processos. Segundo Georgy Kucherin, da equipa GReAT da Kaspersky, a IA está a acelerar as operações dos atacantes ao reduzir significativamente o tempo e os custos necessários para adaptar ferramentas maliciosas.

Para além da ocultação de identidade, a Kaspersky destaca outras tendências críticas para o panorama de ameaças atual. O malware impulsionado por IA pode agora ser reescrito automaticamente em diferentes arquiteturas, enquanto os atacantes utilizam serviços legítimos de cloud para camuflar a exfiltração de dados. Observa-se ainda um foco crescente no ransomware direcionado à interrupção de operações de negócio e o risco de comprometimento de agentes de IA, que podem ser manipulados para servir de mecanismos de persistência no sistema, descarregando payloads sempre que o dispositivo arranca.

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