No mês em que se assinala o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres e em que se comemora um ano da fundação da Coligação contra o Stalkerware (Coalition Against Stalkerware), a Kaspersky lança uma nova ferramenta especial de deteção de stalkerware e spyware.  

O stalkerware permite que alguém consiga espiar secretamente a vida privada de outra pessoa, através de dispositivos inteligentes e é frequentemente utilizado para fomentar a violência contra um parceiro. Com o objetivo de combater esta forma de abuso disseminada pela tecnologia que tem vindo a crescer, em novembro de 2019 foi fundada a Coligação Contra o Stalkerware, uma organização dedicada ao combate do abuso e assédio através de stalkerware, que une empresas dedicadas a combater a violência doméstica e a comunidade de segurança informática.

No espaço de apenas um ano, a aliança cresceu de dez parceiros fundadores para um grande grupo de trabalho internacional. Certo Software, ECHAP, Instituto Alemão de Tecnologia e Jornalismo (ITUJ e.V.), Traced Ltd e a WESNET foram algumas das organizações que se juntaram recentemente à Coligação, que conta agora com 26 parceiros.

Tecnologia segura para todos 

Para a Coligação, o stalkerware é um problema que tem vindo a crescer. Em 2019, a nível global, a Kaspersky detetou um aumento anual de 67% na utilização de stalkerware em dispositivos móveis. O número de ataques por stalkerware a nível mundial durante os primeiros 10 meses de 2020 (de janeiro a outubro) ultrapassou os 48.500, valor que se aproxima do total (quase 52.000 ataques) observado durante o mesmo período em 2019. Embora haja uma ligeira diminuição dos números em relação ao ano passado, não existem indícios de que o stalkerware esteja a desaparecer.

E, apesar do risco que as tecnologias possam trazer, as vítimas não devem ser discriminadas, nem deixar de utilizar os seus dispositivos. "Temos de garantir que as pessoas que já foram vítimas destes ataques têm acesso de forma segura à Internet, a telefones e outros dispositivos, para que possam permanecer ligadas, pedir ajuda e, ainda mais importante, para poderem tomar as melhores decisões por si próprios", refere Rachel Gibson, Especialista Sénior em Segurança Tecnológica da National Network to End Domestic Violence.

Para ajudar a proteger os utilizadores contra o stalkerware, Félix Aimé, investigador de segurança da Equipa Global de Investigação e Análise da Kaspersky (GReAT), desenvolveu o TinyCheck - uma ferramenta simples e intuitiva para detetar stalkerware e spyware instalados em smartphones e tablets, sem que o autor do crime tenha consciência de que esta verificação está a ser efetuada. "A ideia surgiu numa reunião, enquanto discutia a questão do stalkerware com uma organização francesa sem fins lucrativos de defesa dos direitos da mulher. O grupo queria ajudar as pessoas que suspeitassem que o stalkerware estava a ser executado nos seus dispositivos, sem terem de instalar aplicações adicionais ou realizar análises forenses", explica Aimé.

Esta ferramenta de código aberto depende da “Raspberry Pi”, uma plataforma amplamente acessível e fácil de usar. Utilizando uma ligação Wi-Fi habitual, o TinyCheck verifica o tráfego de saída de um dispositivo móvel e identifica interações com fontes maliciosas conhecidas, tais como servidores relacionados com spyware. O objetivo do TinyCheck é ajudar organizações sem fins lucrativos, como fornecedores de serviços, a apoiar as vítimas de violência doméstica e a sua privacidade.

A primeira versão da ferramenta de código aberto está agora disponível em https://github.com/KasperskyLab/tinycheck.

A luta contra o stalkerware continua

"Este é o primeiro aniversário da Coligação Contra o Stalkerware e foi um ano em que pudemos aprender muito. Compreendemos agora que o stalkerware não é um problema puramente técnico. Não é a parte informática da questão que apresenta desafios, mas o facto de termos de lidar com a disponibilidade comercial do stalkerware, a falta de regulamentação em torno da forma como está a ser utilizado e - talvez o problema mais difícil - o facto de a violência contra as mulheres e as diferentes formas de abuso online terem sido normalizadas. Podemos dar às organizações sem fins lucrativos formação técnica sobre diferentes formas de abuso com base em práticas, mas não é suficiente. Isto deveria ser complementado com um capítulo que incidisse nas experiências psicológicas das sobreviventes", comenta Kristina Shingareva, Responsável de Relações Externas da Kaspersky.

Com o compromisso em sensibilizar o público e educar as organizações sobre stalkerware, os membros da Coligação concentraram-se na organização de eventos públicos e na troca de conhecimentos com especialistas. As iniciativas mais recentes contaram com a participação dos investigadores da Kaspersky, que dinamizaram um workshop online na conferência anual da European Network for the Work with Perpetrators (WWP EN), no início de setembro.

Já em outubro, a Kaspersky e outros membros da Coligação manifestaram o seu agrado por se ter estabelecido uma parceria com o Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC) e com a ONU Mulheres, para a realização de um evento online sobre o tema do stalkerware. No mesmo âmbito, o Fórum de Governação da Internet da ONU organizou uma sessão virtual em novembro, na qual o tema do stalkerware voltou a estar em destaque, tendo sido debatido por alguns membros da Coligação. Esta sessão foi realizada em conjunto com um representante do European Cybercrime Center EC3 da Europol, a fim de se identificarem formas de agir em conjunto contra esta ciberameaça crescente.

Como outubro é também um mês dedicado à sensibilização para a cibersegurança em muitos países, a Kaspersky organizou vários eventos digitais regionais destinados a indivíduos de língua alemã das várias regiões da Áustria, Alemanha e Suíça, bem como a indivíduos de língua inglesa na América do Norte. A Kaspersky juntou-se a especialistas e influencers conhecidos na prevenção e combate ao abuso digital, de forma a atingir um público mais vasto e sensibilizar para o abuso e perseguição facilitados pela tecnologia.

Atividades para os 16 dias de ativismo da ONU 

No âmbito da sua missão, os membros da Coligação planearam algumas atividades de apoio aos 16 dias de ativismo contra a Violência de Género da ONU, iniciativa que decorre até 10 de dezembro e que inclui o lançamento da campanha europeia "2020 Responsible Together" contra a ciberviolência. Esta campanha visa aumentar a consciência sobre a ciberviolência contra as mulheres e raparigas.

No último dia desta iniciativa (10 de dezembro), a Kaspersky dinamizará outro evento regional online, destinado a indivíduos de língua francesa, para sensibilizar para o stalkerware. O evento irá promover um debate sobre como os indivíduos se podem proteger desta ameaça e contará com a participação de um influencer e do Centre Hubertine Auclert, um dos membros da Coligação Contra o Stalkerware.

Para saber mais sobre outras atividades que envolvem membros da Coligação, visite o site oficial da organização.

Aos utilizadores que suspeitem que possam ter sido ou que estejam a ser vítimas de stalkerware, a Kaspersky recomenda:

  • Contactar as suas organizações de apoio locais ou a polícia. Estas instituições podem fornecer assistência profissional se estiver preocupado ou tiver encontrado stalkerware no seu dispositivo. O site da Coligação Contra o Stalkerware também fornece uma lista de organizações de apoio.
  • Visitar o site e assistir ao vídeo explicativo da Coligação - ambos disponíveis em seis línguas (inglês, francês, alemão, italiano, português e espanhol) - para encontrar informação útil sobre potenciais sinais de stalkerware. O vídeo apresenta indicadores comuns para verificar se se está a ser vítima de stalkerware e que medidas devem ou não ser tomadas.
  • Utilizar uma solução de cibersegurança comprovada, tal como o Kaspersky Internet Security, para realizar uma pesquisa no dispositivo e descobrir se foi instalado stalkerware no mesmo.

A Coligação Contra o Stalkerware é uma organização dedicada ao combate do abuso e assédio, através da criação e utilização de stalkerware. Atualmente, é formada por agências internacionais de serviço direto e de serviço às vítimas, bem como por empresas de cibersegurança. A Coligação procura reunir um leque diversificado de organizações para abordar ativamente o comportamento criminoso cometido através de stalkerware e para sensibilizar o público para esta ameaça crescente. Devido à elevada relevância social para os utilizadores em todo o mundo, com novas variantes de programas de stalkerware a surgir regularmente, a Coligação Contra o Stalkerware está aberta a novos parceiros e apela à cooperação. Para mais informações sobre a Coligação, visite o site oficial www.stopstalkerware.org

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