Hackers intercetam códigos via SMS enviados por bancos para roubar contas de clientes - Wintech

Nos últimos anos, o conceito de autenticação em dois estágios (2FA) implementou-se de forma massiva, contudo ainda há muito por fazer em vários sectores, inclusive no financeiro. No passado mês de janeiro de 2019, o Metro Bank do Reino Unido confirmou à Motherboard web que alguns dos seus clientes sofreram, recentemente, este tipo de fraude online. Isto não é algo novo, já que em 2017, o jornal alemão Süddeutsche Zeitung informou que os bancos alemães se tinham deparado com o mesmo problema. No entanto, também há boas notícias. Como referido pelo próprio Metro Bank, muito poucos clientes tiveram que se deparar com um problema de segurança deste tipo “e nenhum perdeu dinheiro”.

Para esses casos, a autenticação em dois estágios (2FA), esses 4 ou 6 dígitos que o banco envia por SMS e que o cliente deve introduzir para aprovar uma transação, é um método muito utilizado por entidades financeiras de todo o mundo para manter a salvo o dinheiro dos seus clientes.

Os hackers podem aceder às mensagens de várias formas, uma das quais é aproveitando-se do erro no protocolo SS7, utilizado nas empresas de telecomunicações para coordenar o envio de mensagens e chamadas. Para a rede SS7 não é importante quem envia o pedido, assim, se os hackers, conseguirem passar pelos sistemas de segurança, a rede vai seguir os seus comandos como se os mesmos fossem legítimos para enviar mensagens e chamadas.

Os hackers conseguem obter o nome do utilizador e palavra-passe da conta online, provavelmente através de phishing, keylogger ou trojans bancários. Assim, iniciam sessão na conta online e solicitam uma transferência. Atualmente, a maioria dos bancos pede uma confirmação adicional e envia um código de verificação à conta do proprietário. Se o banco realiza esta operação através de SMS, aí é quando os hackers conseguem explorar a vulnerabilidade SS7, intercetam a mensagem e introduzem o texto, como se tivessem aquele telemóvel. Os bancos aceitam a transferência como legítima já que a transação foi autorizada duas vezes: com a palavra-passe do cliente e com o código de apenas uma utilização. O dinheiro acaba assim nas mãos dos hackers.

Tudo isto poderia ser evitado se os bancos utilizassem uma autenticação em dois estágios que não dependesse de mensagens de texto (por exemplo, uma aplicação de autenticação ou um dispositivo de autenticação hardware como o Yubikei). De momento, a maioria das entidades financeiras não permite outros meios de autenticação em dois estágios que não seja através de SMS. Os investigadores da Kaspersky Lab esperam que, num futuro próximo, os bancos de todo o mundo possam oferecer aos seus clientes outras opções que melhorem a sua proteção.

Perante isto, a Kaspersky recomenda que os utilizadores recorram à utilização de autenticação em dois estágios sempre que seja possível, mas, melhor ainda, utilizar versões seguras de 2FA como as aplicações de autenticação ou os Yubikeys. Utilizar estas opções para proteger os dados bancários sempre que seja possível, ao invés da utilização de SMS. Recomenda ainda que os utilizadores optem por uma solução antivírus de confiança, como o Kaspersky Internet Security, para proteger os sistemas de trojans bancários e keyloggers e que, por isso, os hackers não podem roubar os nomes de utilizador e palavras-passe.

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