A Associação Nacional de Professores de Informática com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian abriu um concurso, para atribuir o Kit Pedagógicos do Robot Anprino, um projeto de afetos, a 50 estabelecimentos de ensino.  
Após o concurso um júri criado para o efeito selecionou 50 ideias/projetos pedagógicos a desenvolver em torno do Robot, entre, as mais de duas centenas submetidas pelos professores dos estabelecimento de ensino. Os Kits do Robot Anprino foram entregues, em iniciativas realizadas na Maia, Lisboa e Lagoa.


Quando abrimos o concurso não imaginávamos que houvesse tantas candidaturas. O que nos deixou, de algum modo apreensivos, pois o que tínhamos para distribuir era tão pouco, para o que ainda é necessário fazer nesta área, na educação.
A quantidade de candidaturas é mais uma evidência, do interesse da robótica e programação no ensino, quer nas disciplinas de TIC e Informática, quer em projetos interdisciplinares, que também tem sido um movimento crescente em Portugal. Um pouco por todo o país multiplicam-se os clubes de robótica e programação e as iniciativas que trazem estas tecnologias para as escolas. Hoje, existem várias iniciativas e campeonatos de robótica e programação no país, com participantes de todas as idades a juntar-se para construir e programar robots. Temos clubes de robótica que ganham prémios internacionais.

São atividades que não se restringem aos alunos dos ensino secundário e superior. Uma boa parte dos clubes e iniciativas são desenvolvidas no ensino básico, entre os três ciclos.

Custos, são o eterno problema. Este movimento crescente, ainda tem alguma barreiras económicas, ainda é dispendioso para as escolas adquirir kits de robótica de forma que esta área se generalize.

Foi, este um dos motivos, pelos quais surge o Projeto Robot Anprino o robot da Associação Nacional de Professores de Informática. Criado por um grupo de professores liderado por Fernanda Ledesma, presidente da ANPRI, procura aproveitar o melhor da acessibilidade tecnológica para contribuir para o uso sustentado da robótica educativa como ferramenta de aprendizagem. O incentivo do Anprino às práticas educativas procura integrar o melhor de três vertentes tecnológicas: impressão 3D, aproveitando as valências da manufatura aditiva para criar peças intercambiáveis e de fácil reposição; a resiliência, diversidade e baixo custo da plataforma de open hardware Arduino; e simplicidade das linguagens de programação em bloco e/ou por código caso as escolas assim o entendam. O objetivo foi criar uma plataforma de robótica de baixo custo sustentada por uma comunidade de utilizadores que partilhe experiências de utilização, código e redesenhe as peças do robot para os seus usos.


Este projeto tira partido das mais recentes tecnologias abertas. O Arduino forma a base eletrónica, com toda a expansibilidade que lhe confere a enorme variedade de componentes, sensores e atuadores disponíveis para esta plataforma. O robot Anprino pode ser programado utilizando a linguagem nativa do Arduino, ou através do ardublockly para anprino , uma versão do Blockly adaptada, traduzida e acrescentada  para este projeto. O uso de programação em blocos permite aproveitar a experiência prévia de alunos e professores em aplicações similares, possibilitando que alunos dos primeiros ciclos programem o Anprino. A impressão 3D permite personalizar os elementos estruturais do robot. Os modelos 3D foram criados com preocupações de modularidade e simplicidade de modificação, utilizando a aplicação web. Os elementos existentes permitem configurar o robot como se desejar, e a facilidade de modelação 3D possibilita aos menos experientes em modelação 3D criar as suas próprias peças. Seguindo lógicas de manufatura aditiva com impressão 3D, imprimem-se as peças de que se necessita, replicam-se rapidamente em caso de dano ou quebra. Esta combinação de três vertentes de tecnologia aberta permite, acreditamos, marcar a diferença com um conceito inovador no domínio da robótica educativa.
 
Para os professores de informática, eletrónica e áreas afins, que lecionam cursos profissionais, robótica inclui conceber e construir de raiz um robot, não apenas adquirir soluções prontas. Embora, nesta fase inicial os robots estejam a ser disponibilizados pela ANPRI, um robot Anprino não tem de ser adquirido à associação. As escolas podem adquirir os componentes eletrónicos, e se dispuserem de impressoras 3D, imprimir as peças necessárias para o robot e também podendo ser reconfigurado em inúmeras formas e criar novas versões. Os conceitos de remistura e redefinição está na base deste projeto.

Contamos com parcerias com empresas e instituições,  nesta fase inicial foi fundamental o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian  para fazer chegar artefactos que fomentem o ensino da programação a mais escolas e mais alunos em Portugal.

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