Na última década, o número de ciberataques este a aumentar consideravelmente ao redor de todo o mundo. Para contra-atacar e tentar resolver de toda maneira estes novos problemas tecnológicos, as empresas de todo o mundo, e especialmente as de Portugal, estão a adotar novas práticas seguras e a investir cada vez mais na importante área da cibersegurança.

De acordo com dados da KPMG, baseados em um questionário enviado a mais de 70 gestores de algumas das principais companhias portuguesas, este tipo de incidente já está no topo das preocupações destes líderes. 66% afirmam que estão "muito preocupados" e 24% dizem que estão "preocupados", somando os dois têm-se que 90%, um número definitivamente expressivo, destes empresários estão preocupados e atentos às questões relacionadas a cibersegurança das empresas.

Ainda de acordo com o estudo, mais de 80% dos inquiridos afirmaram que a preocupação com os diversos tipos possíveis de disrupção tecnológica relacionada a tecnologia de informação e comunicação supera em muito a preocupação com praticamente todas as outras áreas, de falhas de fornecedores até desastres naturais

De acordo com Cristina Alberto, diretora Área de Continuidade de Negócio da KPMG, a maior preocupação dos administradores são os hackers: “Hoje, o que mais preocupa os gestores é a cibersegurança, porque é uma ameaça séria. Os hackers são profissionais e têm a capacidade para criar a disrupção”, afirmou.

O estudo da KPMG também revelou que pouco mais da metade destes empresários não considera as suas empresas resistentes contra-ataques tecnológicos ou outros tipos de falhas relacionadas a tecnologia e os números revelados confirmam as suas preocupações.

Pouco mais de 70% das empresas já registrou algum tipo de incidente que fez com que ocorresse uma indisponibilidade dos seus serviços tecnológicos e mais de 50% afirmaram que este tipo de falha já durou mais do que quatro horas. Tudo isto tem feito com que as empresas invistam cada vez mais em cibersegurança e praticamente todas as inquiridas revelaram ter algum plano de recuperação contra incidentes.

Esta série de investimentos no setor está adequada com as mais novas tendências mundiais, que estão a investir quantias cada vez maiores. De acordo com dados da respeitada CB Insights reportados pela CNBC, só nos Estados Unidos foram investidos mais de 3 bilhões de dólares, aproximadamente 2,44 bilhões de euros, em quase 300 companhias e startups especializadas em cibersegurança.

Além de companhias já estabelecidas no mercado, novas firmas como a Tanium, especializada em tecnologia de segurança de ponto final, e a Lookout, focada na segurança de telemóveis, levantaram juntas mais de 400 milhões de euros e cada uma delas está com uma avaliação próxima de 800 milhões de euros.

De acordo com Sunil Madhu, CEO da empresa de verificação de identidade digital Socure, que acaba de receber pouco mais de 11 milhões de euros em investimento, a indústria de cibersegurança e proteção de dados é “um novo tipo de petróleo... um espaço incrivelmente largo que está a se tornar cada vez mais e mais complicado”.

Sua empresa, Socure, cresceu aproximadamente 600 por cento apenas no último ano e de acordo com Madhu seu valor já está próximo dos 50 milhões de euros. O empresário cinco empresas diferentes no total e três delas focam exclusivamente em cibersegurança.

 

Apesar dos valores menores, em Portugal não é diferente. Um dos principais exemplos recentes é a  EDP Ventures, empresa de capital de risco do grupo EDP, que em conjunto da Data Point Capital e da Scopus Ventures investiu mais de 3,5 milhões de euros na Aperio Systems, uma empresa israelita de cibersegurança.

De acordo com José Alegria, diretor de cibersegurança, privacidade e continuidade de negócio da PT Portugal, o país possui um problema de sustentabilidade em recursos humanos e diversos problemas na área que ainda precisam ser solucionados.

O diretor afirmou ainda que a cibersegurança precisa ser integrada e holística. Isto é: que aborde todos os fenómenos relacionados ao tema, e que nenhuma organização sozinha possui meios para resolver todos os problemas e vulnerabilidades de todas as possíveis partes relacionadas a tecnologia e aos seus diferentes sistemas.

Sendo assim, diversas empresas têm que realizar abordagens diferentes para aumentar a cibersegurança. A Pokerstars é uma das pioneiras no assunto da proteção ao consumidor e oferece há anos a possibilidade de utilizar um token de autentificação em dois fatores para ajudar a protegê-lo online. Diversos bancos também utilizam do mesmo sistema para gerar camadas extras de proteção.

Também existem muitas outras maneiras de proteger uma empresa e seus consumidores contra ciberataques que praticamente todas as companhias que prezam pela segurança de suas informações estão a integrar em suas rotinas de cibersegurança.

Como o elemento humano das companhias é o elo mais fraco e vulnerável de toda a cadeia de sistemas de informação as empresas estão cada vez mais a prestar uma atenção especial e a investir no treinamento dos seus colaboradores. 

Elas não apenas estão vigiando suas atividades em rede mas também tem focado em ensinar os perigos relacionados a sites duvidosos, e-mails de phishing e as variadas táticas criminosas empregadas por cibercriminosos.

Outra peça fundamental que companhias tem empregado é explicar a seus colaboradores como o e-mail é o principal veículo de atores ruins e como é absolutamente necessário deletar qualquer um que pareça estranho, sem nunca clicar em anexos ou links que tenham sido enviados.

Muitas empresas também têm instalado um backup automático, de preferência ligado à nuvem, para diminuir a chance de que ataques consigam afetar os ficheiros guardados e possibilitar que eles sejam  facilmente recuperados caso o improvável venha a ocorrer.

Outra  necessidade básica que felizmente já começou a ser uma prática mais comum nas empresas do país é a de manter o sistema operativo atualizado, já que é imprescindível instalar todos os patches de segurança disponibilizados e executar o Windows Update para manter um ambiente online seguro.

Finalmente, a última tática que tem sido empregada em relação a cibersegurança por empresas do setor é investir em firewalls de próxima geração. Conhecidos como nex-gen firewalls, este novo tipo de firewall possibilitam ao setor de TI da empresa utilizar as novas UTM – Unified Threat Management, que permitem criar um ponto único de defesa e gestão unificada contra ameaças.

A união de um maior investimento monetário com as diversas novas práticas de cibersegurança que estão a ser empregadas nas empresas de tecnologia, tanto de Portugal quanto ao redor do mundo, definitivamente se provarão passos importantes para finalmente resolver os problemas tecnológicos que assolam as empresas e seus consumidores.

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