Depois de 18 meses de desenvolvimento, incluindo algumas semanas de testes onde os fãs contribuíram com o seu feedback, Sheltered, um jogo de sobrevivência 2D desenrolado num ambiente pós-apocalitico, foi oficialmente lançado para PC, Mac, Linux, PS4 e XBox One no passado mês de março.

Desenvolvido pela produtora independente Unicube que, na verdade, é apenas composta por duas mentes criativas (Sonny Meek e Dean Foster), Sheltered chegou às principais plataformas de jogos com o apoio da Team 17, a companhia que se tornou conhecida na indústria dos videojogos por ter criado a série Worms.


À imagem de muitos jogos de sobrevivência, Sheltered transporta-nos para um mundo devastado por um Apocalipse global, onde uma família de sobreviventes encontra o caminho para um abrigo desocupado. Nós assumimos o papel de protetor dos quatro membros da família, sendo a nossa missão zelar pelo seu bem-estar e sobrevivência.


Primeiros passos...

A nossa aventura começa com a escolha dos quatro membros da família. Neste primeiro contacto com o jogo, vamos escolher e personalizar as capacidades e carateristicas fisicas (força, inteligência, etc) de dois adultos e duas crianças, assim como o animal de estimação que nos vai fazer companhia no abrigo. Embora não seja determinante, o animal que escolhemos, que pode ir desde cão e gato a cavalo ou aranha, pode ajudar-nos se estiver satisfeito ou atacar-nos caso não seja bem tratado.

Depois da escolha dos membros da família, chegamos pela primeira vez ao abrigo que vamos chamar lar ao longo do jogo. Inicialmente, o abrigo é apenas uma lugar frio e desconfortável que protege o membros das família dos perigos do mundo exterior, mas que vamos poder melhorar à medida que avançamos no jogo. Na verdade, a manutenção e melhoramento do abrigo vai revelar-se essencial para manter os sobreviventes felizes e saudáveis, assim como a exploração do mundo exterior onde vamos encontrar mantimentos e materiais de construção.

youtube.com/watch?v=jk4fpvhCmq0

Jogabilidade

Em Sheltered, tudo gira em torno do abrigo e dos seus habitantes. Um pouco há imagem de jogos como de simulação de vida real como The Sims, em Sheltered acompanhamos as necessidades e satisfação dos sobreviventes através de oito barras de estado que nos indicam o nível de saúde, fome, sede, entre outros factores, e cabe-nos a nós garantir que todos estas necessidades são satisfeitas, pois a morte está sempre à espreita.

Como já referimos, inicialmente o abrigo não é propriamente um lugar a que se possa chamar casa. Existe apenas um gerador que mantém as luzes acesas, um filtro de água que enche um depósito quando chove, e um filtro de ar que mantém o ambiente no interior do abrido respirável. Estes três equipamentos são essenciais para a sobrevivência no abrigo, pelo que a sua manutenção é uma tarefa importante no jogo. Para além disso, todos eles podem ser melhorados para se tornarem mais eficazes ou mais resistentes às condições adverso do mundo de Sheltered. Existe ainda um rádio que nos permite comunicar com os sobreviventes quando os enviamos para longe do abrigo, procurar transmissões de desconhecidos, ou procurar comerciantes ou quem queira se juntar à nossa família, e uma bancada de trabalho que pode ser melhorada para criar objetos mais complexos.

Com tantos "luxos" a faltar no obrigo (nem um chuveiro ou uma cama existe), entra em cena a gestão de materiais que temos armazenados. Inicialmente, temos ao nosso dispor um pequeno número de materiais que nos permite construir pouco mais do que um balde que servirá como sanita, um chuveiro modesto e um saco-cama para dormir. Desta forma, e também porque a comida é limitada, existe a necessidade de explorar o mundo exterior. Equipados (ou não) com uma arma e uma máscara anti-radiação, os sobreviventes vão viajar pelo mundo para vasculhar os edifícios abandonados na esperança de encontrar comida, materiais de construção, medicamentos, armas e outros objetos.

Em muitas das saídas para o mundo exterior, vamos testemunhar encontros com outros sobreviventes e até mesmo alguns animais selvagens. No primeiro caso, nunca sabemos ao certo o que quer o estranho que abordamos quer de nós - pode querer querer negociar, juntar-se ao nós no abrigo, lutar ou apenas seguir a sua vida. Já nos encontros com animais selvagens, mais comuns nas áreas de floresta e de montanha, resta-nos lutar ou fugir, tendo em conta que também eles são uma boa fonte de recursos. Nos combates, que se baseiam num sistema de turnos, vamos ter algumas dificuldades no inicio, pois os nossos personagens ainda não têm muita força nem habilidade com as armas, mas mais para a frente já conseguimos enfrentar inimigos mais poderosos.

youtube.com/watch?v=MVO08Jdig64

No mapa de Sheltered, que é gerado de forma aleatória cada vez que iniciamos um novo jogo, vamos encontrar várias cidades com edificios abandonados, áreas naturais que nos dão acesso, por exemplo, a plantas medicinais, e edificios isolados dispersos pelo mapa. Em cada saída podemos visitar mais do que um edificio, desde que a água que os sobreviventes transportam o permita, mas devemos ter em conta que a quantidade de recursos que eles podem transportar é limitado. Para aumentar a capacidade de carga dos sobreviventes, podemos fabricar mochilas no abrigo, ou levar uma autocarvana que está estacionada à porta do abrigo, ainda que para isso seja necessário repará-la depois encontrar várias peças que estão em falta... e isso não uma tarefa nada fácil.

Mas a ação e ameaças não surgem só fora do abrigo. Se criarmos inimigos ou algum grupo de "arruaceiros" achar que o nosso abrigo está vulnerável, eles vão atacar a nossa "casa". Se conseguirem deitar a baixo as portas do abrigo, estas visitas indesejadas vão roubar os nossos preciosos recursos ou, eventualmente, atacar algum dos nossos sobreviventes, o que pode resultar na sua morte. Para defender o abrigo, devemos criar armadilhas e melhorar as duas portas do abrigo.

Também no abrigo temos o rádio que nos permite comunicar para com o exterior. Para além de procurar comerciantes e outros sobreviventes, o rádio pode ser utilizado para localizar transmissões misteriosas. Dessas transmissões resultam, normalmente, missões que nos levam a visitar locais especificos onde podemos encontrar pessoas amigáveis, que apenas querem alguma ajuda e retribuir caso estejamos dispostos a ajudar, ou armadilhas criadas por pessoas mal intencionadas.

Resumindo, a jogabilidade de Sheltered tem como base a sobrevivência da família que recebemos, tendo em conta que isso passa pela manutenção e ampliação do abrigo. Para que isso possa acontecer, existe um mundo desconhecido para explorar e, consequentemente, muitas ameaças para enfrentar.

Gráficos e som

O objetivo da Unicube não foi, obviamente, criar um jogo muito vistoso. Os criadores optaram por um estilo visual "pixelizado" totalmente 2D, sem grande detalhe tanto nos personagens como nos elementos que compõem o cenário. Não temos nada contra a utilização de "pixel-art", mas consideramos que em Sheltered a abordagem a este estilo foi demasiado simples e superficial.

Ainda assim, o trabalho visual aplicado pela Unicube não nos impede de desfrutar de cada ambiente e situação de jogo, e sempre nos permite executar o jogo em computadores com especificações mais modestas.

Em relação ao som, temos uma banda sonora suave, mas algo monótona. Salvam-se os momentos de combate onde a intensidade da música sobe de tom. Os efeitos sonoros não são totalmente desajustados, mas existem muitas situações que não fazem acompanhar de qualquer som e que no nosso entender se justificava.


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Conclusão

Embora seja um jogo 2D com um aspeto visual bastante arcaico, Sheltered tem o dom de nos prender durante muitas horas. Para os fãs de jogos de sobrevivência, o que falta em grafismo fica rapidamente esquecido quando nos focamos na mecânica de jogo que nos obriga a estar atento ao bem-estar dos nossos sobreviventes, assim como a explorar e enfrentar os perigos do mundo exterior.

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Ler 813 vezes Modificado em Abr. 30, 2016

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