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MAI 07
WINTECH REVIEW
Microsoft Surface RT
por Tiago Russo

Surgindo como um dos equipamentos mais aguardados da Microsoft, na sua nova e dinâmica relação com o Windows 8, o já aclamado Surface revela-se um Tablet capaz de surpreender toda uma gama, e que poderá tirar - melhor do que qualquer outro modelo - partido de toda uma nova dinâmica de trabalho inerente ao novo sistema operativo da Microsoft.

 

Nesse sentido, a gigante norte-americana traz-nos uma interessante e prometedora conjugação de produtos "próprios", em que, se por um lado, cada vez mais são os equipamentos dotados de Windows 8, toda essa experiência poderá (e deverá) ser melhorada através de um equipamento da própria Microsoft, conhecedora máxima do seu software. Como tal, espera-se algo de completamente inovador neste imponente Tablet de seu nome Surface, em que o seu nome, por si só, nos introduz num conceito de design que mostra guiar toda esta peça, e com especial incidência no seu inovador teclado.

Embalagem

Logo desde uma abordagem completamente inicial, o Surface mostra-se como a grande nova obra-prima da Microsoft. A sua caixa, com um invólucro recortado em cartão negro, garante uma limpeza formal muito associada a um design contemporâneo, limpo, de elevado contraste e claríssima leitura, sendo que na face superior, apenas está escrito o nome da marca, modelo, e o logótipo do Windows. Dentro deste invólucro, o utilizador poderá encontrar uma caixa completamente branca, com a palavra "Surface" escrita num forte tom de azul na tampa que permite o acesso a uma aba interior completamente azul, em fortíssimo cartonado, e a uma densa caixa branca com os respetivos espaços para Tablet, carregador, cabo, e adaptador de corrente. Todas as demais "papeladas" estão muito bem escondidas debaixo do próprio equipamento, num compartimento feito exatamente à medida. Toda a embalagem do Surface denota qualidade, uma elevadíssima robustez (sem nunca perder a delicadeza) e ainda uma tolerância mínima impressionante entre os espaços na caixa e as peças propriamente ditas, estando tudo extremamente bem ajustado, e, no caso do Tablet, "demasiadamente" bem ajustado. É que sem qualquer espaço para se colocar os dedos, o ato de retirar o nosso equipamento da caixa poderá tornar-se num verdadeiro desafio, pelo menos, para aqueles que não quiserem simplesmente virar a embalagem ao contrário até o Surface tombar para os nossos braços. Contudo, e apesar deste pormenor de remoção do produto da caixa, o Surface revela-se, à primeira vista, e começando pela sua embalagem, como um produto em que a Microsoft apostou tudo em prol da qualidade.

Design - Tablet 

Enquanto peça, o Surface revela ter tanto de simples quanto de moderno. Verdadeiramente depurado, totalmente em tom de negro, e com uma face frontal totalmente espelhada (quando apagada) em que mal se distingue o que é ecrã e o que são as margens, o grande (e único) destaque deste tablet é logótipo do Windows em branco, a meio ta margem inferior da face frontal. Já a câmara frontal, essa é quase impercetível, e o mesmo se poderá dizer da câmara traseira, ainda que esta se revele de maiores dimensões.

As restantes faces, contam com pouquíssimos elementos, e todos eles extremamente camuflados. A face superior, com duas pequenas colunas e o botão (On/Off), assim como as faces laterais, onde se podem encontrar de um lado os botões de volume, uma entrada de áudio e uma ranhura para o apoio vertical do Surface, e do outro lado, as portas para carregador, USB e HDMI revelam-se praticamente invisíveis, sem qualquer identificação, garantindo um design limpo e extremamente sólido a esta peça. Os seus acabamentos são de elevada qualidade, e todas as faces metálicas envolventes são de uma textura bassa, mas muito suave e limpa. Já a face inferior deste equipamento conta apenas com o encaixe para o teclado, sendo que aqui, a par do que acontece com o encaixe para o carregador, a superfície metálica revela-se dotada de um íman que garante, de uma forma simples e sem qualquer esforço, que todos os componentes sejam acoplados ao nosso Tablet, e de um modo perfeitamente seguro. E no caso do carregador, o pequeno LED branco que se acende simbolizando o ato de carregamento do equipamento, está localizado na peça do carregador, e não no Surface, oferecendo-lhe ainda maior limpeza formal.

Contudo, um dos pormenores mais aguardados do design deste produto acaba por se revelar uma franca falha ergonómica por parte da Microsoft. A aba traseira deste equipamento, que se pode abrir até ao ponto em que o nosso Surface fica apoiado como se de uma moldura se tratasse, é de ângulo fixo, e revela-se pouco adaptado a uma vasta maioria das reais situações de trabalho com que o utilizador se depara. Percebe-se aqui uma tentativa por parte da Microsoft de tentar encontrar um ângulo geral que servisse o utilizador médio. No entanto, tais medidas, numa utilização real, providenciam muito poucas situações verdadeiramente otimizadas de trabalho, uma vez que em média, numa mesa relativamente "standard", o Surface revela-se apropriado para pessoas bastante baixas, ou se colocado a uma longa distância do utilizador, o que inviabiliza uma correta utilização deste produto.

Design - Teclados 

A Wintech teve acesso, não só ao novíssimo Surface da Microsoft, mas também aos seus dois modelos de teclados/capa, o Type e o Touch, sendo que ambos têm em comum uma base têxtil, de eixo muito maleável, que garante não só uma excelente adaptação aos mais variados ângulos de trabalho, bem como uma fácil rotação do teclado para cobrir por completo o ecrã do Surface, funcionando como capa de proteção, que, graças a um reconhecimento inteligente destes acessórios, permite desligar automaticamente o ecrã ao fecharmos a nossa capa, e, respetivamente, acendê-lo ao abrirmos o teclado.

No caso do teclado Type, este apresenta-se em borracha negra, extremamente polida e de toque muito suave. As suas teclas revelam-se muito silenciosas e de baixa pressão, contando com boas dimensões para os dedos, e um uma interessante disposição de carateres e atalhos totalmente adaptados ao Windows 8 (dos quais se destacam os botões Start, Search, Share, Devices e ainda Settings, idênticos aos do menu direito do novo sistema operativo). A integração desta superfície de borracha sobre a camada têxtil revela-se de elevada qualidade, sem costuras, colas ou linhas de divisão de componentes visíveis. Já o touchpad revela ter um atrito ligeiramente maior do que a restante superfície de borracha, estando também este totalmente em negro, e integrando-se de forma muito coerente com o próprio Tablet.

 

O teclado Touch, por sua vez, apresenta-se totalmente revestido por uma camada têxtil, sem quaisquer botões físicos, e representados apenas pela sua impressão na camada têxtil e por ligeiras nervuras que os separam uns dos outros. Deste modo, sem necessitar de espaço físico para botões, o teclado Touch detém apenas 3mm de altura, sendo toda a sua superfície incrivelmente lisa e polida, contando com o mesmo esquema de botões e atalhos que o teclado Type, sendo este apenas divergente no posicionamento do touchpad. Contrariamente ao Type, em que os botões do touchpad estão integrados na superfície de toque, visto todo o teclado Touch ser, tal como o nome indica, sensível ao toque, os botões esquerdo e direito do cursor de navegação estão colocados abaixo do touchpad, o que os obriga a ficar demasiadamente perto do limite inferior deste teclado, e, como tal, induzindo o utilizador em erro, uma vez que, sem grande identificação, podemos facilmente "clicar" dentro do touchpad pensando que estamos a pressionar um dos botões, ou inclusive pressionarmos já fora do teclado, dada a sua ténue distância aos limites máximos desta peça.

 

Uma das questões mais pertinentes no design do Surface e dos seus teclados prende-se ainda com o próprio conceito "Surface", que verdadeiramente parece integrar apenas o teclado deste produto. A verdade é que, com uma evolução técnica e tecnológica notória no teclado Touch, e diminuindo-o verdadeiramente a uma fina superfície, a Microsoft deixa transparecer quase que um total investimento no conceito do seu teclado, colocando de parte uma franca inovação do seu Tablet. De facto, a Microsoft disponibilizou (apenas) para o seu teclado Touch, três cores diferentes (negro, branco e azul), sem que tais opções existissem quer noutros teclados, quer no próprio Surface, sendo, para todos os efeitos, o Touch a dar um maior e verdadeiro cunho visual a todo este produto. O grande senão é que este teclado é vendido separadamente...

Até mesmo os pesos dos dois componentes acabam por se mostrar francamente divergentes. Com Touch e Type a lograrem de um peso muito semelhante (e leve), torna-se algo desequilibrada a utilização de um Tablet bem mais pesado, talvez demasiadamente pesado por si só. E onde tal fator se revela determinante é precisamente no ato de pegarmos no nosso Surface com o teclado colocado. Embora não seja de uma pega muito confortável nem correta, o íman do teclado aguenta sozinho com a totalidade do peso do Tablet, contudo, mesmo que peguemos em ambos, cada um com uma mão, o Tablet revela-se de tal modo pesado em relação ao teclado que este ganha uma inadvertida tendência para se dobrar, o que, em situações extremas, poderá ser perigoso para a própria durabilidade deste produto.

Caraterísticas Técnicas 

Disponível nas versões 32 ou 64Gb de armazenamento, o Microsoft Surface detém, entre outros, um ecrã de alta definição de 10.6", com uma resolução máxima de 1366 x 768px, mas que apenas garante um toque múltiplo até 5 dedos, ficando aquém dos equipamentos com capacidade até 8 ou 10 dedos que já se encontram no mercado. Já no que ao seu processador diz respeito, o utilizador poderá contar com uma Nvidia T30 (Tegra 3) com 2Gb de memória RAM. Sem serem brilhantes, tais características permitem ainda assim um bom desempenho deste equipamento, garantindo ao Surface uma boa resposta de trabalho em software mais convencional, como será o caso do Office. Contudo, noutras aplicações bem mais exigentes, poder-se-á notar alguma falta de resposta, mas tal será também tido como normal neste tipo de equipamentos mais limitados e para um uso menos especializado em termos laborais.

Características

 

Software e Interface 

Tal como não poderia deixar de ser, o novo ex-líbris da Microsoft traz consigo o Windows 8, numa obrigatória tentativa de garantir ao utilizador uma maximizada experiencia interligando hardware e software. Deste modo, e tal como fora anteriormente enunciado, podemos encontrar, principalmente no teclado, uma fortíssima ligação com o interface do novo Windows, em que novos botões surgem-nos nos locais onde outrora apenas habitavam os F1, F2, etc. E num sistema operativo que mais do que nunca nos exige uma utilização eminentemente Touch, o ecrã de cores vivas e contrastantes do Surface oferece uma muito boa visualização e perceção do nosso ambiente de trabalho. Fica apenas a faltar neste equipamento a possibilidade de compra de uma caneta digital, como meio de otimizar situações de trabalho, num ecrã que, a par daquilo que tem vindo a ocorrer dos equipamentos com Windows 8 de ecrãs menores, se revela demasiado pequeno para alguns softwares, aquando da utilização dos dedos, o que acaba por prejudicar a performance do Surface em situações de trabalho. De resto, o Windows 8 por si só revela-se como um sistema operativo fortemente focado no utilizador e nos equipamentos táteis, e, como tal, a sua utilização neste equipamento em nada é descurada.

Experiência de Utilização 

A par das já referidas diferenças de pesos, que desde logo se fazem notar assim que "abrimos" o nosso Surface, também o teclado Touch requererá alguma atenção e adaptação por parte do utilizador. Para quem está muito habituado ao batimento de teclas e ao ato de escrita em que se sente com firmeza o pressionar de cada caractere, o teclado Type poderá ser uma boa alternativa, sob o risco de o Touch necessitar de algum tempo até ser totalmente interiorizado (e sem que o utilizador passe mais tempo a olhar para o teclado do que para o ecrã). De facto, a passagem com o dedo na vertical permite-nos, neste inovador teclado, reconhecer melhor as diferenças entre botões do que se passarmos os dedos horizontalmente, o que afeta bastante a perceção dos carateres durante a escrita. por outro lado, se o utilizador estiver a utilizar o seu Surface numa superfície mais limitada (ou no seu colo), a tendência para o dedo escorregar para fora botão esquerdo do rato e respetivamente do teclado Touch é algo que assume probabilidades alarmantes. Contudo, este é um equipamento que por si só não prevê uma vasta utilização casual, no sofá ou num cadeirão, uma vez que o questionável ângulo fixo de inclinação do Tablet assim o impede.

Em termos de utilização prática, o Surface, associado ao "seu" Windows 8 não desilude, e a rapidez com que navegamos e nos habituamos às mais variadas Apps garantem uma enorme adaptabilidade e versatilidade deste equipamento. Só é pena que em alguns casos mais exigentes, como é o caso de alguns jogos (disponíveis gratuitamente na Store), se verifique uma ligeira falha de performance. No entanto, em termos de toque, a resposta tem tanto de rápida como de certeira, com um muito bom nível de tolerâncias no toque no nosso ecrã. Infelizmente, para o utilizador mais casual, o Windows 8 continua a revelar-se um sistema operativo dotado de (ainda) muito poucas aplicações, comparativamente com outros SO, o que acaba por, de certo modo, limitar a utilização de um Windows, que, por outro lado, permite a instalação de vários softwares no seu "antigo" ambiente de trabalho, a par do que se verificava nas anteriores versões do Windows, o que acabará por equilibrar as "contas" de personalização e versatilidade deste equipamento.

Som

Contrariamente àquilo que se verifica numa grande maioria dos equipamentos Tablet, em que o som surge algo ruidoso e com baixos índices de qualidade, no caso do Surface, este revela-se uma muito agradável surpresa. Ainda que sem os baixos inerentes a colunas de maior formato, o som neste equipamento revela-se de muito boa qualidade, limpo, sem nunca se verificar distorção - mesmo com o volume a um nível mais elevado - e garantindo bons pormenores sonoros. Mesmo em ficheiros de áudio de sons mais agudos, o Surface garante-nos uma grande e louvável resposta, mostrando-se à altura dos mais variados desafios de áudio.

Autonomia 

No que à autonomia diz respeito, o Microsoft Surface mostra ter bons índices de desempenho, uma vez que a bateria, mesmo em aplicações mais gráficas e exigentes, mostra durar bastante tempo, e totalmente carregada, esta permite uma utilização de várias horas seguidas sem se esgotar demasiadamente depressa. Como tal, este equipamento mostra-se como uma boa aposta para quem exige mobilidade associada a uma forte autonomia, mesmo em situações de forte índice laboral. Por outro lado, o próprio sistema Windows permite ao utilizador monitorizar e personalizar as mais variadas opções de poupança de energia, a fim de o seu equipamento poder durar todo o tempo necessário à execução das mais variadas ações.

Câmara

Dotado de duas câmaras HD de 720p, realmente esperava-se mais neste capítulo de avaliação. De facto, as duas câmaras de 1.0 Megapixéis integradas no Surface garantem uma muito fraca qualidade de imagem, demasiadamente desfocada e de cores que em muito fogem à realidade, principalmente em interiores. Apenas o modo de vídeo consegue ter uma qualidade satisfatória, em que curiosamente a imagem aufere melhor qualidade do que em modo fotográfico. O próprio som também se mostra em bom plano, não demasiadamente ruidoso, e com alguns bons detalhes. A imagem corrida, mesmo com maior movimento, aufere uma boa focagem, e os equilíbrios automáticos de luminosidade garantem transições suaves e fluidas entre as mais variadas partes do nosso vídeo.

Imagens

 

Conclusão 

Em suma, o Microsoft Surface revela-se um Tablet dotado de altos e baixos, em que a Microsoft demonstra ter focado as suas atenções numa nova linguagem formal, limpa, depurada, muito linear e simples, a par daquilo que é a própria linguagem inerente ao Windows 8. Sem se destacar pela sua performance, o Surface é um equipamento de boa utilização nas mais variadas situações que, sem ser brilhante, tenta incutir também uma nova imagem de marca da Microsoft, que infelizmente apenas poderá ser associada ao teclado Touch, à sua formalidade, conceito e aplicações cromáticas. Desapontante nas suas câmaras, surpreendente na sua qualidade de som, este é um equipamento que promete desempenhar toda e qualquer tarefa a que for proposto, com maior ou menor esforço, e contando com o precioso auxílio de uma forte ligação entre teclado e sistema operativo. Apenas desejávamos que existisse idêntica e fortuita ligação entre um conceito de design e uma fraca orientação de um ecrã Touch que, para com o utilizador, deveria ser (necessariamente) a componente de maior utilização e conforto.

Positivo no Microsoft Surface:

Negativo no Microsoft Surface:

+ Design limpo e de utilização muito simples.

+ Som límpido e de boa qualidade.

+ Boa autonomia e opções de poupança de energia.

+ Inovação verificada no teclado Touch.

 

- Teclado Touch vendido separadamente (419€ sem teclado, mais 100 a 120€ pelo Touch).

- Limitações na orientação do ecrã para com o utilizador.

- Má colocação dos botões do rato no teclado Touch.

- Câmaras de muito baixa qualidade.

- Diferença de peso entre Tablet e teclado.


#r_valor35#r_catstart Design#r_catvalor 35#r_catend#r_catstart Ecrã #r_catvalor 35#r_catend#r_catstart Software#r_catvalor 45#r_catend#r_catstart Desempenho#r_catvalor 35#r_catend#r_catstart Autonomia#r_catvalor 4#r_catend#r_catstart Camara#r_catvalor 4#r_catend#r_catstart Graficos#r_catvalor 35#r_catend#r_catstart Som#r_catvalor 45#r_catend



Classificação

Bom
"um Tablet dotado de altos e baixos, em que a Microsoft demonstra ter focado as suas atenções numa nova linguagem formal, limpa, depurada, muito linear e simples"
7,25
  • 7Design
  • 7Desempenho
  • 8Autonomia
  • 7Ecrã
  • Comentários

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